Sempre
fui dada a escrever diários principalmente na adolescência. Parece que a gente
tem a necessidade de falar com o papel em branco, mesmo porque ele aceita de
tudo. Páginas em branco não te julgam, não riem de você e muito menos te
censuram.
Na
época eu além de escrever, fazia colagens românticas com algumas figuras de
revistas. E ali ia depositando minhas descobertas, minhas dúvidas (nem sempre
respondidas), meus anseios e amores tão fugazes como a vida de uma borboleta.
Às
vezes eu levava meu diário para colégio, e só algumas meninas podiam ler, claro
– minhas íntimas.
Lembro
que fiz dois cadernos, desses universitários, cheinhos de indecisões e decisões
que eu era forçada a tomar, afinal já tinha 20 anos.
Eu
escondia os diários dentro do meu guarda-roupas, lá no maleiro, embaixo dos
cobertores, imagine a inocência da pessoa. Será que minha mãe nunca os viu? Se
viu, ficou quieta, nunca me disse nada.
Lá
eu contava histórias de mim, de meus amigos e namorados. De meus professores,
aqueles que eu achava galãs de novela e até dava uma paquerada.
Desenhava
ilusões de um futuro nublado que as vezes parecia tão claro para mim, que eu
acordava feliz da vida. Mas nem sempre era assim. Aquelas páginas tinham mais
lágrimas que sorrisos. Coisas da vida, situações que passamos e que nunca
poderíamos imaginar.
Quando
amadureci, resolvi fazer um diário para minha filha. Ganhei o Diário do Bebe da
minha avó, e aí as palavras mudaram, as cenas se transformaram, as experiências
se tornaram gigantes e os medos eram fantasmas que me assombravam de dia e de
noite.
Contudo,
foi só uma fase, porque depois, resolvi ter agendas e nelas expor tudo que me
acontecia, embora algumas situações e sentimentos eu abreviava ou escrevia no
alfabeto da estenografia, onde somente eu pudesse entender.
Mais
adiante comprei dois cadernos capa dura, tamanho universitário e consegui
encher os dois, de cabo a rabo com tudo que eu quisesse e ninguém poderia ler.
E nunca leram mesmo... Ali eu bordei rendas finas e andrajos. Palácios e
calabouços... lágrimas e gargalhadas. Nojo, raiva, incredulidade, desconfiança,
julgamentos. Sentei-me num observatório com luneta e tudo ia sendo filmado,
fotografado e carimbado. Tantas injúrias e arrependimentos, mas também
felicidade e amor. São esses contrapontos que fazem nascer um diário. É um
registro, um documento íntimo que deveria ser queimado após minha morte.
No
entanto, O Diário dos 4 Elementos vem de encontro às novas ideias e ideais, e
posso garantir que minha maturidade nesse momento faz o papel ser mais feliz.
Deixemos
fluir!
*sonhar
é libertar latências
Abafando
ecos e esferas
Iluminando
frestas*
By Lu Cavichioli


